Caminha, sozinha, com passos decididos, naquele chão desigual.
Tenta parecer decidida, mas as suas decisões são sempre erráticas.
O cabelo escuro, de dois tons,
vai solto nos dias frios e quando ela quer;
vai apanhado nos dias quentes e quando ela quer.
A pele de alabastro está agora descoberta.
Não gosta do que vê no espelho na maior parte das vezes,
é raro achar que algo está bem.
Não se identifica com a maior parte das coisas,
não entende o mundo nem as pessoas.
Parece estar sempre a tentar provar algo a alguém,
como é diferente.
Sente-se (e sabe que) na maior parte do tempo está sozinha
e às vezes não sabe onde encontrar apoio.
Acha que as coisas mudaram,
mas talvez tenha sido ela quem mudou.
Ainda não sabe bem.
Pergunta-se como será que a vêem
e se realmente a vêem.
A expressão usual é a de testa enrugada e olhos ligeiramente cerrados.
Não sabe se a favorece, mas é a expressão que se lembra de sempre ter.
Caminha, sozinha, com passos decididos naquele chão desigual,
as mãos tocam o cabelo porque não têm mais o que agarrar.
E ela nem se dá conta do que está a fazer.
Nem se apercebe para onde vai.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Silêncio tranquilo
Sob aquele sol abrasador,
encontro-me na sombra reservada.Os olhos semicerrados pela luz,
o corpo a destilar de alívio.
O asfalto mexe-se sozinho
e não há mais ninguém para o observar.
O silêncio é tranquilo
mas ao fundo ainda se ouve falar.Está na hora de voltar.
domingo, 11 de abril de 2010
Lembra-te de Mim
Dilacerado estás,
por dentro e por fora.
No teu caderno velho, dobrado e amarrotado,
lhe vais escrevendo, falando.
Tens saudades, mas não dizes a ninguém.
Nela e nos seus ímpares olhos azuis,
encontraste um apoio,
algum equilíbrio.
Quando tudo parece tomar um rumo,
partes, inevitavelmente,
e só pedes: "Lembra-te de mim".
(poema inspirado no filme Remember Me).
segunda-feira, 22 de março de 2010
Passos
Gosto de ouvir os passos sobre as lages,
gosto de ouvir os passos sobre as folhas,
gosto de ouvir os passos sobre o soalho,
gosto de ouvir os passos sobre o cascalho.
Gosto de ouvir os passos silenciosos,
gosto de ouvir os passos misteriosos,
gosto de ouvir os passos conhecidos e desconhecidos,
gosto de ouvir os passos escondidos.
Gosto de ouvir os passos e adivinhar de quem são,
gosto de ouvir os passos que pisam o chão.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Jarra
O suspiro cansado sai da minha boca.
Entro na sala para mais uma hora...
As mesas estão diferentes,
não há luz que entre,
vemo-nos todos uns aos outros.
O cheiro a campo, a flores,
faz-me ter saudades da liberdade,
do sol que queima,
da sombra que refresca,
da água que molha e aquece,
dos rostos diferentes que são iguais.
Com os olhos naquela jarra de flores,
sinto saudades daquela liberdade esquecida.
(Por esta altura já devia ter. Ainda não tenho.)
Entro na sala para mais uma hora...
As mesas estão diferentes,
não há luz que entre,
vemo-nos todos uns aos outros.
O cheiro a campo, a flores,
faz-me ter saudades da liberdade,
do sol que queima,
da sombra que refresca,
da água que molha e aquece,
dos rostos diferentes que são iguais.
Com os olhos naquela jarra de flores,
sinto saudades daquela liberdade esquecida.
(Por esta altura já devia ter. Ainda não tenho.)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Promessa

Eu tinha prometido.
Tinha prometido e em parte, cumprido.
Mas ao ver-te naquela noite de luzes,
nesse porte altivo,
nessas roupas que tão bem te ficam,
mais bonito que nunca,
a minha fraqueza cedeu.
Eu tinha prometido.
Tinha prometido e em parte, cumprido.
A minha fraqueza cedeu.
A barreira caiu. Outra vez.
(in just one week)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Capítulo
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O pinheiro de longas e afiadas agulhas verdes

Depois da chuva miúda que caiu,
o sol, já nada ténue, rasga o céu,
pinta de mais claro as paredes brancas,
entra nas casas pelas janelas transparentes.
As nuvens brancas,
da cor das paredes,
encaixam-se no céu claro.
No pinheiro, de longas e afiadas agulhas verdes,
o vestígio escasso da chuva,
brilha com os raios de sol,
contrasta com o tom chocolate das pinhas.
Espreito da minha mesa,
o pinheiro verde brilhante,
que mesmo simples,
é deslumbrante.
O pinheiro verde de longas e afiadas agulhas
Depois da chuva miúda que caiu,
o sol rasgou o céu, mas agora desapareceu,
as paredes brancas ganham suaves sombras,
sai das casas pelas janelas transparentes.
As nuvens escuras,
tapam o céu,
raramente o deixam espreitar.
No pinheiro verde de longas e afiadas agulhas,
o vestígio escasso da chuva, secou,
contrasta com o tom chocolate das pinhas.
Espreito da minha mesa,
o pinheiro verde,
que passou a ser igual aos outros,
mas mesmo assim, deslumbrante.
("As coisas mais simples são as mais belas")
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O sorriso, a agitação

O sorriso, a agitação,
invadem a minha face,
o olhar ilumina-se, com o brilho na íris escura,
o tom rosado das maçãs do rosto, refresca a alma aquecida.
O sorriso, a agitação,
formam-se naturalmente,
fazem o ar cheirar melhor,
a flores, a Primavera,
fazem o sol ficar,
fazem os passos serem música,
fazem os sabores serem saborosos,
fazem o toque ser macio.
O sorriso, a agitação,
fazem o corpo e alma serem felizes,
fazem o corpo e alma serem felizes,
fazem o Mundo mais bonito.
(esta flor, chamada Copo-de-Leite, significa Felicidade e Pureza)
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Imersão
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Frio, chuva, neve

O corpo encolhe-se,
os rostos arrefecem,
as almas aquecem,
os dias passam.
O frio, a chuva, a neve,
alternados e simultâneos,
envolvem o ar e a água.
As noites reaquecidas,
passam depressa e devagar.
Os dias suaves passam sem se dar conta.
Frio, chuva, neve.
(Imagem: “flores” de sal cristalizado que cobrem a superfície do Mar Branco na Rússia)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Episódio

Foi tão natural, tão simples, tão incrivelmente diferente.
Os risos nunca forçados que jorravam das nossas bocas,
as palavras nunca superficiais, ora ditas seriamente, ora sorrindo,
nunca eram más.
Da cumplicidade reatada e revivida,
da cumplicidade esbatida,
põe-se a questão de ter sido ilusão no lugar da oposta realidade.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Palavras. Ou a falta delas.

Nesta noite que tão a leste está de mim,
as tuas palavras ora doces, ora indiferentes,
não são para mim.
E eu que aguentei um dia tão cheio e tão vazio,
esperei para ouvi-las,
mas não ouço.
Elas não são para mim.
Não são para mim e talvez não sejam para mais ninguém.
Estás tão longe,
indiferentemente distante.
indiferentemente distante.
Tento as palavras certas para ouvir algo certo, errado ou nada disso.
Não importa, basta que digas alguma coisa.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Utopia(?)

O sol brilha, quente, no céu tão limpo, azul-claro.
O frio do dia mais frio, gela-me a cara, as mãos que estão fora dos bolsos.
Os meus passos são vacilantes neste chão incerto e as minhas pernas cortam o ar pesado e leve.
A minha cabeça nunca pára,
sempre de um lado para o outro
e a lembrança de palavras trocadas, assoma à minha mente.
Não sei defini-lo, é muito diferente do que já estou habituada.
Ou talvez seja eu quem quer que assim seja.
Mil perguntas que não tenho coragem te de fazer, percorrem a minha alma,
censurando-me pela minha cobardia,
ou pela minha prudência, não sei bem.
Tudo o que sei é que te sinto distante,
e os meus dedos pálidos tentam alcançar-te.
Mas a cada passo nosso, a distância entre nós aumenta, abrindo-se num abismo abismal,
que nem tu nem eu conseguimos atravessar.
E pergunto-me se os teus passos não serão utopia minha.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Memória

Havia tanto barulho, tanta agitação naquele passeio estreito,
com as pedras brancas da calçada a espreitar,
de olhos curiosos postos em nós.
Essa tua cara agastada,
o tom único da tua pele,
mostram o que eu já sei.
As tuas feições estão marcadas
pelo pó do tempo,
pelas consequências que não soubeste medir
e que te escuressem o rosto.
Mas os teus olhos escuros,
esses são os mesmos,
com o mesmo brilho que sempre lhes conheci
e do qual gostei como ninguém.
Olhá-lo outra vez,
foi ver tudo o que aconteceu há tanto tempo, mas que nunca esqueci.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Lua Cheia

Já está frio demais para estar fora de casa,
mas ainda o sinto cortante, na cara, nas mãos.
A luz já é fraca
e provém das poucas salas ainda a uso.
A escuridão abate-se sem ser preciso encará-la, o que, no entanto, faço.
Uma estrela tímida descobre-se no meio daquele barulho de que me abstenho.
Olho para todos os lados mas não vejo mais nenhuma, e aquela é tão bonita, tão brilhante...
Procuro então pelo mais importante: a Lua.
Tão perfeita e luminosa, Cheia,
querendo destacar-se naquele céu que quer ser escuro, mas ainda não é.
mas ainda o sinto cortante, na cara, nas mãos.
A luz já é fraca
e provém das poucas salas ainda a uso.
A escuridão abate-se sem ser preciso encará-la, o que, no entanto, faço.
Uma estrela tímida descobre-se no meio daquele barulho de que me abstenho.
Olho para todos os lados mas não vejo mais nenhuma, e aquela é tão bonita, tão brilhante...
Procuro então pelo mais importante: a Lua.
Tão perfeita e luminosa, Cheia,
querendo destacar-se naquele céu que quer ser escuro, mas ainda não é.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Bolhas de sabão

Olho para a caixinha, e logo me lembro:
recordações da pequena mãozinha que a segurava,
e a pequena boca que soprava.
Por magia, via as bolhas de sabão flutuar,
umas preferiam o chão,
outras as alturas.
Coloridas, de mil reflexos,
rebentavam divertidas,
uma a uma.
E agora, fazem o mesmo,
umas preferem o chão,
e outras as alturas.
Coloridas, de mil reflexos,
rebentam divertidas,
uma a uma.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Flor invernil

O sorriso que agora trago,
é como uma flor que decidiu florescer no Inverno,
depois de uma apatia imensa, pelo sol, pela água.
As coisas mudaram,
mas verdadeiramente nada mudou,
nada é novo.
Acho que fui eu que mudei.
As razões são desconhecidas,
ou talvez difíceis de mostrar.
É como uma flor que decidiu florescer no Inverno.
(esta foto tem direitos de autor: Christina Ramos "Chris" em http://exposicaoaberta.blogspot.com/)
é como uma flor que decidiu florescer no Inverno,
depois de uma apatia imensa, pelo sol, pela água.
As coisas mudaram,
mas verdadeiramente nada mudou,
nada é novo.
Acho que fui eu que mudei.
As razões são desconhecidas,
ou talvez difíceis de mostrar.
É como uma flor que decidiu florescer no Inverno.
(esta foto tem direitos de autor: Christina Ramos "Chris" em http://exposicaoaberta.blogspot.com/)
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Branca de Neve

"Lábios vermelhos como uma rosa,
cabelo negro como o ébano
e pele branca como a neve.
Ela é a mais bela".
Memória de princesa preferida,
de músicas esquecidas,
gestos escondidos.
Nostalgia permitida.
As caras doces,
os olhares gentis,
trazem a alegria passada
e o medo tonto de criança.
A perfeição da inocência
e a inocência da perfeição,
ali, numa história de crianças.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Estado

O caminho de pedras de calçada
branco sujo,
com a grade, os arbustos de folhas grandes de um lado,
o vazio, o barulho, as máquinas mortas do outro,
dizem-me que tenho de ir.
Quero voltar para trás, mas as pernas avançam maquinalmente,
como se alguém lhes tivesse dado corda
num segundo de distracção.
O vento, gentilmente, refresca a minha cara, gelando-a.
Ergo a cabeça para o céu, num suspiro conformado
e vejo-o cinzento.
Um cinzento escuro, muito escuro,
terrivelmente escuro, quase tão escuro como carvão,
onde as nuvens movem os corpos indefiníveis, rapidamente,
numa sensação de desânimo permanente.
Ora desabafam chorando grossos pingos de chuva que caem furiosos no asfalto culpado,
ora disfarçam o choro com a chuva que mal se sente,
que cai surdamente nas folhas caídas, secas, por estalar.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Desabafo

Desvaneceu-se sem me ter apercebido.
Era uma amizade disfuncional,
mas era amizade.
Agora, olhas para mim como se fosse uma estranha,
e é o que acabo por ser,
tal como tu acabaste por sê-lo para mim.
Mas já não há retorno, manternos-emos assim.
Talvez a culpa tenha sido minha, talvez,
mas pura e simplesmente não podia aguentar mais.
Lamento.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Estilhaços de uma noite
Destruído, estilhaçado, dilacerado...
Tudo acabou...
Num segundo, aquilo que era perfeito,
a única coisa que me fazia suportar tudo e todos,
saltou com força das minhas mãos escorregadias,
caindo, inevitavelmente, no chão duro de pedras negras, que se riem de mim,
que troçam da minha ingenuidade,
estilhaçando-se em mil pedaços.
Caio sobre aquela destruição,
que me destrói lentamente o corpo e a alma.
As lágrimas escorrem pela minha cara,
terminando no todo que agora está dilacerado,
fazendo eco, um eco sem som, que ecoa na minha cabeça,
tombando-a no chão.
As minhas mãos sem vida procuram
os pedaços do que está acabado para sempre.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Ensaio

A vida vai passando pelos meus olhos,
pelo meu corpo,
pela minha alma.
A cada segundo,
a minha maneira de olhar o mundo,
o meu corpo, a minha alma,
mudam.
E talvez não seja uma boa mudança,
ou talvez seja.
Não sei e acho que ninguém sabe.
E sinto que sou a única,
e não sou...
Bem, realmente não sei.
(originalmente escrito em Inglês)
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
?
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ilusão

Estúpida ilusão.
Como pude?
Estúpida ilusão.
Evitá-la foi tão impossível,
agora é inevitavelmente frustrante.
A estúpida ilusão que me perseguiu
naquela memória que quero apagar,
daqueles olhos tão hipnóticos
que me olharam tão fixamente,
obrigando-me a desviar os meus.
Já esqueci tudo isso,
aquele olhar intenso...
Ou pelo menos tento.
domingo, 18 de outubro de 2009
Aqueles olhos
Aqueles olhos azuis esverdeados,
aqueles olhos verdes azulados,
que tão bem me prenderam,
naquele momento tão hipnótico.
Aqueles olhos
que me vêem ao pensamento
a todo o instante
e não me deixam esquecê-los.
Aqueles olhos azuis esverdeados,
verdes azulados,
que nem consigo definir,
mas não consigo esquecer.
aqueles olhos verdes azulados,
que tão bem me prenderam,
naquele momento tão hipnótico.
Aqueles olhos
que me vêem ao pensamento
a todo o instante
e não me deixam esquecê-los.
Aqueles olhos azuis esverdeados,
verdes azulados,
que nem consigo definir,
mas não consigo esquecer.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Saudades

Saudades de muitas coisas
que significavam pouco
e agora significam muito,
saudades de poucas coisas
que significavam muito
e agora significam pouco.
Saudades das manhãs passadas,
em que voltava a ser criança.
Saudades das tardes,
partilhadas com uns e outros.
Saudades das noites esvoaçantes,
que não voltam.
Tudo se foi,
tudo o tempo, o vento levou.
Talvez volte ou não.
Talvez venha algo.
Quiçá.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Não sei

A torrente soltou-se dos meus olhos de água,
sentida como há muito não era,
deixou aquele sabor amargo na boca angustiada,
no rosto toldado,
na alma contorcida.
Os cabelos molhados tapavam-me a face que sofria, encharcada,
ao som do coração desenfreado.
Não digo que sei,
preferindo acreditar e fingir que não sei.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Oca
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Sufoco
Renovações

Grandes renovações vêm aí,
sinto-o.
Sinto-o a cada golfada de ar que inspiro,
a cada pedaço de chão que piso.
Muitas coisas parecem querer mudar.
Nada versáteis, parecem não se ter adaptado a mim e à minha vida.
Parecem querer mudar por tempo limitado...
Ou ilimitado, não sei.
Grandes renovações vêm aí,
sinto-o.
Sinto-o a cada palavra proferida,
a cada segundo trespassado.
Grandes renovações vem aí,
sinto-o.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Coisas
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Alice

A Alice do País das Maravilhas
adormeceu e teve o sonho da sua vida,
como se toda a sua existência se tivesse passado ali, no País das Maravilhas,
onde tudo acontece.
Inocente criança que cai na toca do coelho.
E então, tudo muda.
O País das Maravilhas, irreal,
onde tudo acontece,
onde a noção se perde.
(obrigada ao Jorge, mais uma vez)
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Desânimo

Senti o desânimo invadir-me,
atacar-me com toda a força,
sem me dar tempo de o impedir.
Fui para mais perto da rua,
olhei o céu negro da noite,
em busca do consolo das estrelas,
mas nem isso tive.
Fechei os olhos num instante
e senti o vento trespassar tudo.
Só preciso de ouvir o vento
para saber que tudo ficará bem.
sábado, 29 de agosto de 2009
É real?

Na habitual conversa,
ele mostrou-me aquela fotografia,
de que ele tanto tinha gostado,
partilhando-a comigo.
Olhei-a atentamente,
aquela aura mágica enfeitiçou-me imediatamente,
como se do pó da varinha de condão de uma fada se tratasse.
Aquele imenso verde
que habita naquelas paredes,
naquele chão,
aquelas flores...
É real?
(ao Jorge, mais uma vez obrigada por me dar a oportunidade de escrever sobre estas maravilhas. Dedicado a ele)
Rosa
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O cair da noite
O sol já vai ao encontro do horizonte,
mas a noite ainda nem caiu.
A lua já se acomodou,
já está sentada no céu azul claro.
As estrelas ainda se estão a arranjar,
ainda não chegou a sua hora,
ainda não chegou a hora do espectáculo,
a hora de iluminar o céu com a lua.
Ainda não chegou a hora
que chega docemente.
mas a noite ainda nem caiu.
A lua já se acomodou,
já está sentada no céu azul claro.
As estrelas ainda se estão a arranjar,
ainda não chegou a sua hora,
ainda não chegou a hora do espectáculo,
a hora de iluminar o céu com a lua.
Ainda não chegou a hora
que chega docemente.
domingo, 23 de agosto de 2009
Pedaços de chão

Naquela água tão límpida,
onde lhe vejo o fundo,
ajoelho-me no chão
e mergulho as mãos na areia.
Com as mãos em concha,
agarro um pedaço de chão
e observo as pequenas pedrinhas,
tão pequenas e brilhantes.
Atiro-as dentro de água
e vejo-as pairar, por pouco tempo,
até caírem nas minhas mãos,
ou no fundo.
Pedaços de vida e de tempo.
Pedaços de chão.
sábado, 22 de agosto de 2009
Flor de Lótus

Tão simples,
a Flor de Lótus mora nos lagos,
junto dos nenúfares,
junto dos peixes.
Poucos reparam nela,
e isso fá-la chorar pétalas de desgosto.
Os peixes tentam consolá-la, saltando no lago,
os nenúfares choram com ela lágrimas de orvalho.
A Flor de Lótus mora nos lagos,
junto dos nenúfares,
junto dos peixes,
chora pétalas de desgosto.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Flor de Algodão
Céu
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
O Tempo
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Gato
O Gato sentado no parapeito da janela,
de pêlo negro e olhos amarelos
concentra a sua atenção em algo que não se vê.
O Gato sentado à janela,
de pêlo escuro e olhos dourados
só presta atenção a algo que não se vê.
de pêlo negro e olhos amarelos
concentra a sua atenção em algo que não se vê.
O Gato sentado à janela,
de pêlo escuro e olhos dourados
só presta atenção a algo que não se vê.
Rosa de Prata
A Rosa de Prata tão bela e perfeita,
no jardim de ouro e mármore,
tão frágil e imponente,
tão brilhante e reluzente.
A Rosa de Prata é a única rosa
do jardim dourado e marmóreo
onde os Zéfiros se passeiam
e as Deusas e Ninfas beijam o chão.
A Rosa de Prata está presa ao jardim
preso na perfeição.
no jardim de ouro e mármore,
tão frágil e imponente,
tão brilhante e reluzente.
A Rosa de Prata é a única rosa
do jardim dourado e marmóreo
onde os Zéfiros se passeiam
e as Deusas e Ninfas beijam o chão.
A Rosa de Prata está presa ao jardim
preso na perfeição.
sábado, 15 de agosto de 2009
Rio
A água cantando
pelas pedras grandes e pequenas,
rodeada pela vegetação.
O caminho é íngreme,
areia e pedras quase me fizeram cair,
mas nada chegou para me impedir.
Não me importava de ficar aqui para sempre.
pelas pedras grandes e pequenas,
rodeada pela vegetação.
O caminho é íngreme,
areia e pedras quase me fizeram cair,
mas nada chegou para me impedir.
Não me importava de ficar aqui para sempre.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Memórias
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Desencontros
Caminhamos em estradas estreitas, paralelas.
Ris bem alto e nem me vês,
nem vês que te bebo os passos.
Não olho sequer para a minha estrada.
Continuas tão seguro de ti,
sem medo algum do caminho que percorres.
Pela primeira vez ponho os olhos no meu,
não consigo ver-lhe o fim,
apenas a linha ténue do horizonte.
Os nossos caminhos nunca se cruzam.
(à Filipa, por ser o preferido dela)
Ris bem alto e nem me vês,
nem vês que te bebo os passos.
Não olho sequer para a minha estrada.
Continuas tão seguro de ti,
sem medo algum do caminho que percorres.
Pela primeira vez ponho os olhos no meu,
não consigo ver-lhe o fim,
apenas a linha ténue do horizonte.
Os nossos caminhos nunca se cruzam.
(à Filipa, por ser o preferido dela)
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Gruta

Virando a esquina da rocha,
vejo o espaço que o mar ainda não engoliu.
Aquele espaço tão cheio de tudo e tão cheio de nada,
cheio de magia e de areia e pedra.
A abertura que a rocha deixou formar
permite que uma réstia de sol entre.
O mar avança levemente na sua direcção
chamando-a pelo nome.
(ao Gordo, meu admirador, o primeiro a lê-lo)
sábado, 8 de agosto de 2009
Paraíso
O Céu sai à rua
O Céu sai à rua.
No seu vestido azul-claro de seda
passeia-se no meio dos outros,
confundindo-se com eles,
com um brilho que mais ninguém vê.
O Céu sai à rua.
No seu vestido azul-escuro negro de seda
passeia-se no meio dos outros,
confundindo-se com eles,
deixando que o brilho se perca.
No seu vestido azul-claro de seda
passeia-se no meio dos outros,
confundindo-se com eles,
com um brilho que mais ninguém vê.
O Céu sai à rua.
No seu vestido azul-escuro negro de seda
passeia-se no meio dos outros,
confundindo-se com eles,
deixando que o brilho se perca.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Necessidade
Necessidade intemporal,
sentimento eterno,
de mudança, algo novo
que faça diferença,
que faça viver com emoção.
Necessidade eterna,
sentimento intemporal.
sentimento eterno,
de mudança, algo novo
que faça diferença,
que faça viver com emoção.
Necessidade eterna,
sentimento intemporal.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Luar
sábado, 25 de julho de 2009
Mar
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Primeira praia
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Rio
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Noite
A noite de Verão
vai clara ainda,
sem lua, sem estrelas,
toma o lugar do dia.
Desce do céu até à terra,
despede-se do sol e das nuvens,
chama morosamente as companheiras.
A noite de Verão
sibila segredos,
faz promessas,
adormece todos.
vai clara ainda,
sem lua, sem estrelas,
toma o lugar do dia.
Desce do céu até à terra,
despede-se do sol e das nuvens,
chama morosamente as companheiras.
A noite de Verão
sibila segredos,
faz promessas,
adormece todos.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Deserto

O calor abrasa-me a pele,
a boca ressequida implora por água,
os pés parecem pisar chamas.
Não sei o que faço ali,
não sei o que me levou lá,
sei apenas que as pernas caminham altivas
em busca de algo.
Não consigo parar,
as pernas não deixam.
"Só pararás quando encontrares...",
ouço na minha cabeça.
Mas eu não sei o que é,
Mas eu não sei o que é,
nem encontro.
A busca é infinita.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Pôr-do-sol/Amanhecer

Levanto os olhos do chão
e ponho-os no céu.
É o fim do dia,
É o fim do dia,
o fim de mais um dia.
O sol desce lentamente,
para se encontrar com o mar,
para se encontrar com a terra.
Desce lentamente.
O céu é colorido de tons indefiníveis,
tons de rosa,
tons de laranja.
É o cair da noite,
é o pôr-do-sol.

Amanhecer
Abro os olhos, pestanejo com a claridade
e ponho-os no céu.
É o início do dia,
o início de mais um dia.
O sol sobe lentamente,
para se encontrar com as nuvens,
para se encontrar com o horizonte.
Sobe lentamente.
O céu é preenchido de luz,
raios de sol,
que quase me cegam.
É o nascer do dia,
é o amanhecer.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Amor
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